in

Surgimento da cultura contemporânea no século XX

Os grandes avanços científicos e as mudanças sociais impactaram na cultura contemporânea

quadro contemporâneo de Picasso

Os estudiosos consideram que a Idade Contemporânea, bem como a cultura contemporânea, iniciou com as diversas mudanças do século XIX para o XX.

Nesse período de transição ocorreram fatos como as revoluções na América Espanhola, a Revolução Industrial, na Europa, e o surgimento do movimento operário.

Nesse artigo falaremos da cultura que emerge nesse momento, principalmente durante o século XX, e que marca consideravelmente o mundo atual.

A virada para a Idade Contemporânea

O século XIX foi um período de grandes avanços científicos. Esses avanços mudaram a visão de mundo e levaram a um progresso sem precedentes na história da humanidade.

Figuras como Charles Darwin, Albert Einstein, Sigmund Freud, entre outros, foram figuras que realmente provocaram uma ruptura na concepção que tradicionalmente se tinha do mundo e do ser humano.

Portanto, neste período ocorreram as descobertas das ondas eletromagnéticas, da radioatividade e da primeira teoria quântica. Já no século XX, a genética, a teoria da relatividade e a estrutura atômica foram enfim desenvolvidas.

Novo olhar marcou as manifestações artísticas

O pensamento novo que estava se formando marcou também as manifestações artísticas, principalmente na literatura e na arte.

Nelas, por sua vez, se manifestaram as correntes do Realismo (que pretendia mostrar as coisas como elas eram) no lugar do Romantismo (de valorização da natureza e imaginação). Essa transformação, por fim, desembocou no Modernismo, já no final do século XIX.

Os representantes do movimento se dedicaram a mostrar mundos exóticos, em linguagem rica, rítmica e colorida. São exemplos desse movimento os autores Fernando Pessoa, Marcel Proust, Franz Kakfa, entre outros.

Na pintura, uma corrente pictórico pré-modernista, representada nos nomes de Renoir, Monet, Van Gogh e Gauguin, fez surgir o estilo Art Nouveau.

Este, por sua vez, trouxe uma concepção de refúgio de beleza e felicidade nas artes. O movimento ainda rompeu com a academia criando formas orgânicas, mas com uma concepção decorativa. Esse movimento marca uma posterior mudança na virada do século.

As “vanguardas históricas” europeias do século XX

No começo do século XX, a criação artística passa por uma ruptura radical. Os diversos movimentos que se sucedem desde os primeiros até 1940 são chamados de “vanguardas históricas”.

O nome é dado por causa do rompimento estético daquilo que era preestabelecido e tradicional, chegando a chocar o senso comum. Artistas muito conhecidos desse momento se tornaram memoráveis: Picasso, Kandinsky, Mondrian, Duchamp, Dalí e Miró, por exemplo.

Assim, a grande característica comum de todas as vanguardas é a noção de que há múltiplas maneiras de enxergar a arte. Esse novo olhar surge como expressão de uma investigação capaz de encontrar a beleza ou a singularidade.

Com grandes mudanças ocorrendo em todos os campos da sociedade, os principais movimentos da época criam padrões. Eles geram um patrimônio estético que é absorvido e entendido como parte das possibilidades de criação.

Entre esses movimentos estão o Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo e as correntes da arte abstrata.

O Modernismo no Brasil – 1922

O movimento teve início quase cinco anos antes da Semana da Arte Moderna de 1922. A Semana, aliás, foi um divisor de águas na cultura do Brasil.

Desse modo, Oswald de Andrade escrevia sobre o fato de o centenário da independência do país ser comemorado como “independência mental e moral”.

Portanto, a Semana consistiu em apresentações que intercalavam conferências, exposições, concertos e leituras de obras.

Todavia, o legado mais importante dos modernistas foi ter colocado a cultura brasileira na pauta de debates. Para eles, a arte deveria refletir nossa condição de país americano, tropical e subdesenvolvido.

Além disso, ao mesmo tempo, engajar-se nas discussões de vanguarda, adotando procedimentos modernos e internacionais como o Cubismo e o Expressionismo.

A arquitetura moderna e construtivista

Diversas soluções surgiram para a modernização arquitetônica nos primeiros 25 anos do século XX. Foi a partir delas que o movimento moderno surgiu.

Nesse sentido, a Bauhaus foi o principal modelo. Ainda que tenha passado por diversas fases, com diferentes orientações, sua principal preocupação foi promover a união da arte e técnica na concepção de um desenho racional de objetos belos e úteis.

Urbanismo e a resposta ao crescimento das cidades

Desde o século XIX, sobretudo a partir de 1945, com o surgimento das cidades, os problemas urbanísticos atingiram níveis preocupantes.

Tenta-se atender, em grande parte, às urgentes necessidades de espaço que se apresentam nas cidades modernas. Estas, aliás, receberam quantidades imensas de população em pouco tempo.

Assim, as propostas urbanísticas do século XX ofereceram respostas diferentes. Na base do movimento moderno instala-se um compromisso social direcionado à resolução dos espaços coletivos.

A cidade como uma necessidade humana

Podemos dizer que a promessa da cidade nasce da visão de uma grandeza. Tal grandeza não parte da relação micro de uma comunidade com a natureza e o ambiente ao redor. Ela surge da ideia de uma única sociedade humana.

Assim, o modelo de “Ville Contemporaine” (Cidade Contemporânea) começa a se mostrar como forma de conceber uma coletividade.

Busca-se um traçado aberto onde no centro se localizam arranha-céus, isolados e elevados. Já ao redor existem grandes quadras. O tráfego de veículos e pedestres ocorre em níveis diferentes. Assim, uma característica fundamental é o caráter independente do conjunto de moradias em relação ao traçado urbano.

O fim da guerra e a Pop Art

Em meados do século XX, o centro da cultura ocidental deslocou-se para o outro lado do Atlântico, como consequência da Segunda Guerra Mundial.

Isso porque o principal cenário foi a Europa, em contraposição ao papel exercido pelos Estados Unidos.

O expressionismo abstrato e a Pop Art (as duas tendências mais significativas dos anos 1950 e 1960) apresentavam elementos europeus. Mas elas encontraram na América sua expressão genuína.

Já no final do século assistiu-se à globalização dos fenômenos artísticos semelhantes à que vem ocorrendo com a economia.

Valorização do pensamento

Nos últimos anos várias propostas da vanguarda foram concretizadas. Entre elas estão a valorização absoluta do pensamento como parte essencial da criação, como propõe a arte conceitual. Ou ainda os esforços por superar os limites da percepção, que se manifestam pelo corpo e pela ação.

Na Pop Art os artistas inspiravam-se nos objetivos e mitos visuais da sociedade de massa e mantinham com eles uma relação dual. Se de um lado, sua incorporação à grande arte traduzia certa adoração, de outro lado, por meio deles, multiplicam-se lampejos irônicos sobre a perda do sujeito e da relação humana na contemplação.

Mas sua compreensão aparentemente fácil é perturbadora porque revela a opressão que exercem sobre a sociedade. Ao mesmo tempo, é possível captar seu inesperado atrativo.

Crescimento da juventude

Enquanto no campo acontecia uma migração para a cidade, os que chegavam ao meio urbano justamente demandavam também educação secundária e superior.

Na época, a educação primária era a política de todos os governos. Mas já na década de 80 eram poucos os que haviam atingido metade da sua população alfabetizada.

No nível superior, porém, mesmo os países considerados mais desenvolvidos não tinham 1% da sua população formada.

Mas justamente nesse momento histórico, os alfabetizados passaram a crescer consideravelmente. Até que, em certo momento, representavam um setor importante da sociedade.

Na década de 60, escreve o historiador Hobsbawn:

Se tornou inegável que os estudantes tinham constituído, social e politicamente, uma força muito mais importante do que jamais haviam sido, pois em 1968 as explosões de radicalismo estudantil em todo mundo falaram mais alto que as estatísticas.

Assim, eles se tornaram os únicos grupos capazes de uma ação política coletiva. Rapazes, moças e seus professores, junto a trabalhadores das indústrias, manifestaram-se com expressão nacional e, no caso de maio de 1968, internacional.

Facetas de maio de 1968

Muitas narrativas produzidas na internet, ou mesmo nos livros, colocam maio de 1968 como um movimento hippie, simplesmente.

Mas se olharmos bem para o contexto e o desencadeamento de uma organização social anterior na Europa, pode-se, inclusive, chamarmos de uma revolução cultural.

Isso porque ela ocorreu no sentido de uma transformação subjetiva do homem e do uso da imagina­ção como recurso político potencialmente subversivo.

Resumidamente, tratou-se de um desejo de ruptura total com a geração anterior. Foi a transformação do próprio homem e de seu cotidiano, antes utópico do que dotado de efetividade.

Na França, o movimento estudantil ganhou adesão do operariado, sem tutela ou direção.

Nos EUA, esteve ligado ao movimento pela igualdade racial. Ia no contra movimento da propaganda de massa que alimentava a crença do progresso e de pertencimento no projeto de melhoramento de vida através da ciência e da tecnologia.

Cultura de massa

A originalidade dos manifestantes de 1968 foi interrogar-se sobre os impasses contemporâneos e decretar a necessidade de um novo tempo que as instituições não eram capazes de incorporar.

Desse modo, o impossível poderia ser desejado. Mas isso foi capturado pela publicidade da sociedade do espetáculo.

Então, em maio de 1968, como elemento de adição à essa narrativa, a rebeldia deixa de ser sintoma de descontentamento. Ela vira força propulsora de transformação para se traduzir em um ativismo identitário juvenil.

A “cultura de massa”, mais do que cultura popular, trata de um grande volume de pessoas unidas por uma rede de significados.

Potencialmente dizendo, integração de grupos, geográfica e historicamente distantes, em torno de elementos comuns. Estabelece-se que o homem é, ao mesmo tempo, produtor e consumidor de arte.

Símbolos da cultura de massa

O cinema e a televisão são então os grandes símbolos da “cultura de massa”. Há aí um desafio entre a fronteira da diversão e da crítica política, como surgida na pop art, que já falamos.

Como exemplo, temos Walt Disney. Ele representa a “arte comercializada” que sintetizou imaginação e técnica, divulgação do encantamento moderno, capitalização dos temas persistentes do imaginário popular.

A “anuência” ou a “resistência” de uma obra de arte depende tanto da elaboração e produção quanto de sua recepção e emergência. A “Grande Guerra” nos conduziu a uma estética e uma temática comprometidas com a reflexão sobre a experiência da barbárie e sobre a fragilidade do projeto moderno.

No Brasil, a tropicália e a censura

artistas da tropicália posando para foto
Crédito: Proddigital

A aproximação entre arte, vida e política marca a arte brasileira nos anos 1960. Os integrantes do movimento neoconcreto, que eclodiu nos anos 50, vão radicalizar na década seguinte.

Em todas as formas de arte do período, há a chamada antropofagia. Isto é, digerir referências de elementos da arte universal, reprocessados e filtrados a partir do contexto local.

A cultura popular, então, também aparece com força nesse momento. Ela faz também crítica política – velada ou explícita – ao ufanismo desmedido, à censura e à violência da ditadura militar.

Cultura e arte conceitual

Como reverberação desse movimento em sintonia com o movimento global da nova juventude, na década seguinte, é a vez da performance e da arte conceitual.

Na sequência, a geração dos anos 80 revaloriza a pintura e a subjetividade, já no fim da ditadura militar.

Nesse momento, há uma retomada da pintura, com marcas artísticas de criações coletivas e grandes dimensões dos objetos trabalhados. Assim, distanciando-se das pinturas tradicionais, utilizando matérias como pregos, ferrugem ou até mesmo plástico nas obras.

Arte popular brasileira

A arte popular resulta de um olhar simples para fora, um trabalho com símbolos, com coisas concretas, partindo do saber do povo. Ela ocorre em oposição do saber erudito.

Trabalha então com a simplicidade objetiva da vida e do cotidiano da comunidade. Dialoga, porém, e sempre dialogou, com as artes mais acadêmicas e intelectualizadas.

Justamente, desde o início de suas manifestações, em torno das festas, dos ritos religiosos, as diversões, os costumes e os trabalhos das comunidades tradicionais e posteriores.

Além da dança, música e teatro, as artes plásticas são produzidas em telas, esculturas, cerâmica e tecido. Além de outros materiais, como palha e muitas vezes diretamente nas matérias-primas da natureza.

Cultura visual

televisão antiga transmitindo telejornal
crédito: You Tube

No mundo ocidental, numa sociedade em que o sentido principal que utilizamos é a visão, nos tornamos uma sociedade, portanto, de uma cultura visual.

Mas conseguir reproduzir imagens idênticas às reais ocorreu somente com a fotografia, em 1839. Ela permitia reproduzir a realidade por meios óticos e químicos.

E, no século XX, conseguiu-se melhora nos sistemas de impressão. A partir de constantes aperfeiçoamentos técnicos, a máquina fotográfica converteu-se em instrumento ao alcance de todos.

Palavras e imagens em simultaneidade também à base dos quadrinhos, que têm linguagem própria e extremamente rica. Já o cinema compõe uma narrativa em que se fundem experiências artísticas diversas, visuais e acústicas.

A arte e sua reprodução maciça

E aí, no século XX, a percepção visual do mundo contemporâneo está indissociavelmente ligada aos novos sistemas visuais das linguagens. Entre eles temos fotografia, cartaz, desenho gráfico, quadrinhos, televisão e vídeo.

Eles, afinal, são meios de comunicação de massa. Cada um deles é resultado de desenvolvimento técnico específico, cuja característica comum é a possibilidade de reprodução maciça.

Mas os meios de massa têm sofrido os mesmos percalços para sua aplicação que outras práticas artísticas de épocas passadas, com soluções e progressos técnicos desenvolvidos ao longo do tempo.

Por isso, sua dimensão criativa não nasce da aplicação da técnica por si mesma, ainda que esteja condicionada por ela, mas sim de seu aproveitamento como veículo de ideias.

Cultura: “sétima arte”

A chamada “sétima arte” talvez seja a indústria mais representativa desse momento histórico-cultural, juntamente com a televisão.

Os filmes são, sem dúvida, narrativas visuais inseridas na tradição histórico-artística. Já a televisão, fruto do desenvolvimento tecnológico do século XX, conquistou lares de todo o mundo com uma linguagem própria, que vai das telenovelas aos videoclipes.

Concluindo, em um país com profundas desigualdades sociais e culturais como o Brasil, a televisão é o principal meio de entretenimento e informação, com todos seus benefícios e críticas.

As telenovelas em especial, na cultura do nosso país, apresentaram ao longo de sua história temas relevantes à sociedade brasileira que suscitam, dão origem e circulam, de determinada forma, as reflexões e debates.

Dicas Enem

A cultura contemporânea está entre os temas mais cobrados em vestibulares e nas provas do Enem. A dica é rever este conteúdo e estudar mais profundamente sobre os movimentos culturais de fins do século XX.

O que você achou?

Escrito por Redator Especialista em Literatura

Redator especialista em Literatura no Guia do Ensino.

Caso encontre um erro, violação de direitos autorais ou queira enviar um feedback/sugestão, utilize o e-mail: [email protected] para contato.

Comentários

Deixe uma resposta

Carregando...

0
jovens sorridentes para fazer o Enem 2019

Enem 2019 – guia completo para mandar bem

DNA de criança com olhos azuis

Princípios da transmissão de características hereditárias