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Guerra Fria: entenda o contexto e os principais reflexos do conflito

O marco do fim da Guerra Fria foi a queda do Muro de Berlim

Bandeiras dos Estados Unidos e da União Soviética com aparência suja na Guerra Fria

O mundo polarizado: de um lado países capitalistas liderados pelos Estados Unidos. Do outro nações com ideais socialistas capitaneadas pela União Soviética (URSS). Assim se constituiu a Guerra Fria.

O conflito não-armado se estendeu do final da 2ª Guerra Mundial, em 1945, até a extinção da União Soviética, em 1991. Durante esses 46 anos aconteceram conflitos regionais armados, pactos econômicos, estímulo à ditadura e corrida espacial.

Causas: como tudo começou

O fim da 2ª Guerra Mundial deixou a economia de muitos países arrasada. Paralelamente à reconstrução de nações, dois fatos chamam a atenção:

  • o poderio econômico dos Estados Unidos e da URSS;
  • o contraste entre o capitalismo e o socialismo na ideologia, na política e nas forças militares.

Nesse sentido, a União Soviética tentava implantar o socialismo em outros países. Ela defendia a igualdade social, a existência de um único partido e o enfraquecimento da democracia.

Do lado oposto, os Estados Unidos defendiam a propriedade privada, a escalada do capitalismo e o fortalecimento da democracia nos governos.

Contudo, ambos os países tinham condições de promover uma grande guerra nuclear, com efeitos desastrosos para o mundo inteiro. Para evitar um conflito deste porte os dois rivais passaram a disputar o poder mundial.

O confronto ganhou o nome de Guerra Fria por não envolver o uso de armamentos, mas sim de medidas governamentais para conquistar mais poder.

Recuperação: principais desdobramentos

Seguindo essa linha de raciocínio, os dois países lançaram dois planos para reforçarem, cada qual, a sua ideologia política. Veja.

Plano Marshall: lançado em 1948 pelo presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, com o objetivo de oferecer empréstimos a juros baixos a países europeus aliados dos norte-americanos e destruídos pela 2ª Guerra Mundial;

Comecon: lançado em 1949 pela União Soviética em resposta ao Plano Marshall para impedir os aliados socialistas de aderirem ao plano dos norte-americanos.

Uma reação que a URSS não esperava é que a Alemanha fosse assinar o Plano Marshall para recuperar sua economia. A atitude dos soviéticos foi então a de fechar todas as fronteiras por terra com Berlim.

A saída encontrada pela Alemanha foi abastecer Berlim pelo ar. A medida foi mal recebida pela União Soviética, que prontamente provocou a divisão do país em Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental.

Ameaça: Otan x Pacto de Varsóvia

Apesar da Guerra Fria em vigência, o medo de haver uma 3ª Guerra Mundial era evidente.

Por isso, em 1949, os Estados Unidos criaram a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para proteger os países membros de eventuais ataques soviéticos e dos seus aliados.

Em resposta, a URSS criou em 1955 o Pacto de Varsóvia, com objetivo semelhante ao da Otan: proteger os países socialistas contra ataques dos inimigos.

Os Estados Unidos ganharam o apoio de países como Itália, França, Grécia, Alemanha Ocidental e Espanha. Já o Pacto de Varsóvia ganhou aliados como Alemanha Oriental, China, Coreia do Norte e Romênia.  

Não houve nenhum conflito sequer entre os países, mas sim a ameaça constante de um ataque de consequências mortais.

Reflexos: conflitos regionais

Como um confronto direto entre as potências mundiais do capitalismo e do socialismo teria consequências trágicas, os dois países passaram a financiar guerras regionais colocando seus aliados em campo de batalha. Veja as principais:

Guerra da Coreia

A Coreia foi durante muitos anos dominada pelos japoneses. Mas com o fim da 2ª Guerra Mundial poderia se tornar independente. Porém depois da Revolução Maoísta, o país foi pressionado a adotar o socialismo.

Os Estados Unidos entraram no conflito e apoiaram a parte sul da Coreia para manter o capitalismo. Entretanto, a URSS financiou o exército instalado na região Norte.

O resultado foi a separação do país, que dura até hoje, em Coreia do Norte (socialista) e Coreia do Sul (capitalista). No conflito que se estendeu de 1951 a 1953 cerca de 1 milhão de pessoas morreram.

Guerra do Vietnã

O símbolo da luta entre o capitalismo e o socialismo, que marcou a Guerra Fria, foi a Guerra do Vietnã, que ocorreu entre 1959 e 1975.

O Norte era apoiado pelos soviéticos, enquanto o Sul, pelos norte-americanos. Mesmo com todo o aparato do exército dos Estados Unidos, os vietcongues do Norte venceram a guerra, que matou centenas de militares e civis. O Vietnã, portanto, passou a ser socialista.

Guerra Fria: curiosidades

A Guerra Fria provocou a chamada corrida espacial, ou seja, a disputa entre Estados Unidos e União Soviética para ver quem realizava mais conquistas espaciais.

O astronauta soviético Yuri Gagarin foi o primeiro homem no espaço, enquanto que os Estados Unidos mandaram a primeira expedição para a Lua.

Outra curiosidade é que nem todos os países aderiram à Guerra Fria, permanecendo neutros. Tanto é que em 1955 houve o Movimento dos não Alinhados durante a Conferência de Bandung, na Indonésia, com a participação de 29 países. O Brasil, por sua vez, aliou-se aos Estados Unidos.

Dica de estudo: a Guerra Fria no cinema

A Guerra Fria inspirou não somente os livros de história, mas também as produções cinematográficas. Veja agora algumas dicas de filmes baseados no conflito.

  • Ponte de espiões
  • Adeus Lênin
  • Munique
  • Todos os homens do presidente
  • Platoon
  • Boa noite e boa sorte

Desenrolar dos fatos: queda do Muro de Berlim

A Guerra Fria não se estendeu por mais décadas porque a União Soviética começou a ruir devido às constantes crises econômicas, bem como a proposta de um governo socialista não encontrou respaldo.

O líder dos soviéticos, Mikhail Gorbachev, chegou a fazer reformas, como a Perestroika e a Glasnost, mas o país já não resistia.

O marco do fim da Guerra Fria foi a queda do Muro de Berlim, que ocorreu em novembro de 1989, após cerca de 30 anos da divisão.

Neste período, embora houvesse a 2ª Guerra Fria, como alguns historiadores nomearam, com a volta das hostilidades entre os dois países, as relações começaram aos poucos a ficarem mais amistosas.

Ditadura militar: impacto da Guerra Fria no Brasil

No início da Guerra Fria o Brasil aderiu ao bloco capitalista. Entretanto, em 1961, o então presidente João Goulart (Jango) aproximou-se da União Soviética, desencadeando uma crise interna e externa.

Além dessa medida, Jango anunciou reformas sociais que incomodaram a elite brasileira. Assim em 31 de março de 1964 o presidente foi deposto e iniciou-se a Ditadura Militar no Brasil.

O período teve forte apoio da Agência de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) e da classe conservadora brasileira. A ditadura governou o país até 1985, no ano da chamada redemocratização.

Caiu no Enem

A Guerra Fria é um assunto cobrado com frequência no Enem e outros vestibulares. As perguntas costumam abordar os acordos políticos, as guerras regionais, as lideranças e ideologias capitalista e socialista.

Veja o exemplo de uma questão que já caiu no Enem e que se refere ao tema:

(ENEM) – “Do ponto de vista geopolítico, a Guerra Fria dividiu a Europa em dois blocos. Essa divisão propiciou a formação de alianças antagônicas de caráter militar, como a Otan, que aglutinava os países do bloco ocidental, e o Pacto de Varsóvia, que concentrava os do bloco oriental. É importante destacar que, na formação da Otan estão presentes, além dos países do oeste europeu, os EUA e o Canadá. Essa divisão histórica atingiu igualmente os âmbitos político e econômico que se refletia pela opção entre os modelos capitalista e socialista”.

Essa divisão europeia ficou conhecida como:

a) Cortina de Ferro.

b) Muro de Berlim.

c) União Europeia.

d) Convenção de Ramsar.

e) Conferência de Estocolmo.

Resposta: Letra A

A característica do poderio militar da Otan e do Pacto de Varsóvia ficou conhecida como Cortina de Ferro.

Quem marcou o Muro de Berlim errou, pois ele é uma questão física, restrita à Alemanha.

Já a União Europeia trata-se de um acordo econômico e só começa a vigorar em 1957.

Já as convenções de Ramsar e Estocolmo não fazem referência à Otan e ao Pacto de Varsóvia.

Concluindo…

Para concluir, a Guerra Fria foi um conflito indireto entre Estados Unidos e União Soviética, com impactos geopolíticos, que não contou com armamentos. Porém as armas foram usadas nos conflitos regionais financiadas pelos países envolvidos, deixando milhares de mortos.

E, então, agora que você já entendeu melhor o contexto e os reflexos da Guerra Fria, aprofunde seus estudos pesquisando outras fontes sobre o conflito.

Guerra Fria (Só História)

Guerra Fria (Wikipedia)

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Escrito por Redator Especialista em História

Redator especialista em História no Guia do Ensino.

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